Adivinha? É, mais artigo velho. Tô falando, vocês nem imaginam o tanto de coisa que tenho guardada, e talvez esse seja o artigo que mais necessite de revisão. Ele foi escrito logo após a Nintendo ter vazado do país, quando a crise disparou, lá no começo do ano passado. Tinha até uma parte crítica sobre o assunto, mas provavelmente nem vai aparecer, até porque minhas opiniões obviamente mudaram com o tempo. Wii U aparentava ainda ter um mínimo de sucesso, e o NX, agora conhecido como Nintendo Switch, era apenas um rumor. Provavelmente isso daqui vai ser publicado em diversas partes, já que na época isso rendeu umas 27 páginas só de texto. É, foi coisa pra burro.
O foco do artigo aqui é na história da Nintendo no Brasil. É um assunto um tanto conturbado, por isso foi necessário uma baita pesquisa sobre o assunto, entre scans, comerciais, artigos, entre outros lugares. Como disse, isso daqui vai render, então no começo de cada artigo, uma OSTzinha marota da Nintendo pra ouvirem:
Os cards, na década de 70 começaram a perdem mercado por causa de vídeo-games e mini-games da Bandai e da Atari, daí pra não falirem criaram uma série de mini-games chamados Game & Watch, esses que tiveram seu design como inspiração pro Nintendo DS. Também tentaram apostar em fliperamas, esses que não davam lucro, até que um japa louco chamado Shigeru Miyamoto criou, em 1981, um jogo doidera chamado Donkey Kong. O resto acho que todos já sabemos, né? O jogo fez um enorme sucesso, assim como suas sequências e seu “spin-off” (hoje chega a ser piada pensar que foi quase isso mesmo) chamado Mario Bros., levando a Nintendo, em 1983, a lançar o Famicom (o NES, lançado em 1985 nos EUA) e bem… Super Mario Bros., The Legend of Zelda, Metroid, Kirby… Pouco, não?
Guerras Clônicas
Agora vamos falar da nossa terrinha tanto amada: Brasil-sil-sil! Bem, quando o Famicom saiu, ainda estávamos no período de redemocratização. Bem, durante a ditadura existia um apelo pelo fortalecimento da indústria nacional, chegando a proibir, em certos setores, a importação de produtos. Em outras palavras, mesmo existindo um produto bom no exterior, você teria disponível para a compra apenas os produtos fabricados aqui, esses que muitas vezes eram extremamente mais caros e… com qualidade inferior. Um desses setores era a informática, com vídeo games inclusos. Então não tinha vídeo game no Brasil na década de 1980? NÃO! A questão é que essas regras abriam ENORMES brechas para quebras de patentes. Simplesmente uma empresa podia copiar as peças de um produto estrangeiro, botar numa carcaça nova e vender como um produto diferente e… Sim, o Nintendinho foi parar na brincadeira. Clones do NES eram populares no mundo todo, ainda mais em países no qual ele não era distribuído, como na Rússia.
Esses clones chegaram no Brasil em 1989… MAS PERA! Ditadura já tinha acabado, né? Mas acho que todos sabemos que aqui o “processo é lento e o bagulho é louco”, então ainda no mandato de José Sarney ainda tínhamos algumas leis da ditadura atuando no Brasil, mesmo que não tão fortemente, por motivos óbvios. Os primeiros clones que tivemos fomos Top Game VG-8000 da CCE, o Dynavision da Dynacom e, o mais importante e popular, o Phantom System, da Gradiente, console com quase o mesmo visual do Atari 7800, mas ao ver que o console estava fracassando, resolveu clonar o NES. Mas porque o mais importante? Bem, vamos ver a seguir.
Playtronic: Uma parceria revolucionária
Eis que, no começo dos anos 90, adivinha no mandato de quem ocorre uma mudada nessas leis relacionadas a informática? Fernando Collor de Mello (sério, eu tô com um coceira enorme pra fazer piada sobre Game Boy…). Com alterações nas leis, a Nintendo, vendo que o Brasil parecia ser um mercado promissor, mas que estava sofrendo de enorme pirataria, resolve pousar por aqui no ano de 1993 (já após Collor ser chutado), se unindo a Gradiente (produtora do Phantom System) e a Estrela (sem dúvida a maior empresa de brinquedos que atuava no Brasil) para formar a Playtronic. Mas antes disso a Nintendo já estava buscando se ajeitar aqui no nosso país desde 1991.
Desde o início ela sempre se focou em uma parceria com a Gradiente, mas com quase dois anos de processo, muito se supôs sobre alguma parceria com a Machine (empresa que controlava a Sharp na época) e a CCE. Aliás, enquanto não acertava uma parceria de produção nacional, o Game Boy, o NES e o Super Famicom (Super Nintendo) foram importados oficialmente para o Brasil, através da empresa C. Itoh.
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| Eu falei que não iria aguentar… |
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| Sega tava devorando o mercado nacional de games… |
Além de Super Mario World tivemos mais onze jogos lançados junto ao lançamento nacional do console, que foram: Street Fighter II, Super Mario Kart, Star Fox, Super Soccer, Super Tennis, Vegas Stakes, NCAA Basketball, Pilotwings, SimCity e… A LENDA DE ZELDA: UM ELO COM O PASSADO! Sim, traduziram até mesmo o nome do jogo, algo digno de nota. Com isso fica óbvio que os manuais eram todos em português também, algo que a TecToy já fazia. Infelizmente foram poucos os jogos traduzidos por completo (a TecToy, por exemplo, traduziu Phantasy Star inteiro, além de trazer jogos exclusivos do oriente como Yu Yu Hakusho: Sunset Fighters), mas entre os traduzidos temos o clássico Super Copa, que na verdade era o game Tony Meola’s Sidekicks Soccer, que além dos idiomas português e espanhol, trazia anúncios de empresas famosas no Brasil como Adidas e Elma Chips.
Depois desses, ainda tivemos no lançamento os acessórios Super Scope 6’, uma bazuca com sensores infravermelhos que de brinde vinha com um cartucho com 6 jogos de tiro. Além dele também tivemos o clássico Mario Paint, esse que vinha com Mouse e Mouse Pad.
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| A Legenda de Zelda: Link vai Pastar |
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| Aposto que a maioria nunca viu um desse na vida |
Outra campanha de marketing bacana foi uma showroom chamada World of Nintendo, aonde era possível fazer visitas durante agosto de 1993 para testar o que estaria por vir nos próximos meses no Brasil.
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| Na Legenda dizia que era nacional, então vou acreditar… |











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